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sábado, 26 de março de 2011

O que o Cristão de hoje precisa saber sobre o Novo Testamento em Grego


Trinitarian Bible Society

Nos últimos anos tem havido muita confusão a respeito das modernas traduções e edições do Novo Testamento em grego. Algumas pessoas fazem reivindicações sobre o Novo Testamento em grego, sem terem informações suficientes que as apoiem. Muitos têm a pretensão de que suas traduções são exatas porque tais versões se baseiam nos melhores textos gregos disponíveis. Alguns supõem que suas traduções são melhores que a Versão Autorizada porque esta e seu subjacente Textus Receptus grego acrescentam variantes e leituras extras ao texto. Outros, entretanto, reivindicam que o texto grego do Novo Testamento não é importante porque sua tradução favorita é melhor que qualquer texto grego. Há, ainda, outros que afirmam que o texto grego não é importante porque a maioria das pessoas não pode ler o grego da época do Novo Testamento. Entretanto, o texto grego sobre o qual uma tradução se baseia terá um impacto tanto sobre a leitura devocional das Escrituras pelo cristão como sobre a proclamação da Palavra de Deus no testemunho da graça salvadora de Jesus Cristo. É necessário que o cristão da atualidade entenda a importância do texto grego tradicional na vida cristã. [acima]
O Texto Tradicional
Antes de tudo, é necessário entender que se quer dizer com o termo “texto tradicional”. Durante o primeiro século após a ressurreição de Cristo, Deus moveu homens que escrevessem Sua Palavra (2 Pedro 1.21). O resultado foi um conjunto de cartas e livros, escritos em grego koine (chamados de “autógrafos originais”). Essas cartas e esses livros foram copiados e recopiados através dos séculos e distribuídos por todo o mundo. Essas cópias consistem os manuscritos do Novo Testamento. Mais de 5.000 desses manuscritos gregos sobreviveram até os dias atuais. O grande número desses manuscritos apóia a chamada tradição textual bizantina (bizantina porque veio do mundo falante do grego da época). Esses manuscritos bizantinos formaram o que chamamos de texto tradicional do Novo Testamento. A representação mais bem impressa desse texto-tipo bizantino é o Textus Receptus (ou texto recebido). Em acréscimo aos manuscritos, também temos à disposição muitas obras nas quais numerosos Pais da Igreja fizeram citações dos manuscritos. A obra de John Burgon estabeleceu que o texto básico usado por muitos Pais da Igreja é o mesmo texto que hoje conhecemos como texto bizantino.
O Textus Receptus foi compilado a partir de uma quantidade de manuscritos bizantinos por vários editores do início do século XVI. Houve edições de editores tais como Erasmo, Stephens, Beza, dos Elzevires, Mill e Scrivener. Essas edições diferem sutilmente umas das outras, mas ainda assim referem-se ao mesmo texto básico. Alguns editores foram populares em diferentes países e geraram as bases para as traduções do Novo Testamento. O Textus Receptus (como mais tarde ficou conhecido) foi o texto usado por Tyndale e por outros tradutores da Versão Autorizada inglesa (King James), de 1611 e outras traduções reformadas. [acima]
O texto crítico
Durante os séculos XIX e XX, entretanto, uma outra forma do Novo Testamento grego surgiu e foi usada pelas traduções mais modernas do Novo Testamento. Esse Texto Crítico, como é chamado, difere largamente do texto tradicional, pois omite muitas palavras, versículos e passagens que são encontrados no Texto Recebido e nas tradições que se baseiam nele.
As versões modernas baseiam-se, principalmente, sobre um Novo Testamento grego que é derivado de um pequeno punhado de manuscritos gregos do quarto século em diante. Dois desses manuscritos, que muitos dos eruditos modernos dizem ser superiores ao bizantino, são o manuscrito do Sinai e o manuscrito do Vaticano (c. século IV). Estes, por sua vez, originam-se de um tipo de texto conhecido como texto alexandrino (por causa de sua origem egípcia), referido pelos críticos textuais Westcott e Hort como “texto neutro”. Esses dois manuscritos formam a base do Novo Testamento grego, conhecido como Texto Crítico, cujo uso tem sido muito difundido desde o final do século XIX. Nos últimos anos tem havido uma tentativa de se aperfeiçoar esse texto, chamando-o de texto “eclético” (querendo dizer que muitos outros manuscritos foram consultados em suas edições e evolução), mas ainda é o texto que tem sua base central naqueles dois manuscritos. [acima]
Problemas com o Texto Crítico
Há muitos problemas de omissão que caracterizam esse Novo Testamento grego. Versículos e passagens, que são encontrado nos escritos dos Pais da Igreja dos anos 200 e 300 a.D., estão faltando nos manuscritos do texto alexandrino (que data de cerca de 300 a 400 a.D.). Além disso, essas traduções antigas são encontradas em manuscritos que datam de 500 a.D. em diante. Um exemplo disso é Marcos 16.9-20: essa passagem é encontrada nos escritos de Irineu e de Hipólito, no segundo século, e em quase todos os manuscritos do Evangelho de Marcos de 500 a.D. em diante. Essa passagem está omitida nos manuscritos alexandrinos, o do Sinai e o do Vaticano.
Este é somente um dos muitos exemplos desse problema. Há muitas palavras, muitos versículos e muitas passagens omitidos nas versões modernas que são encontrados no texto tradicional ou bizantino do Novo Testamento e, portanto, no Textus Receptus. O Texto Crítico diverge do Textus Receptus 5.337 vezes, de acordo com alguns cálculos. O manuscrito do Vaticano omite 2.877 palavras nos Evangelhos; o manuscrito do Sinai, 3.455 palavras nesses mesmos livros. Esses problemas entre o Textus Receptus e o Texto Crítico são muito importantes para as corretas tradução e interpretação do Novo Testamento. Contrariamente à argumentação dos que apoiam o Texto Crítico, essas omissões afetam a vida cristã quanto à doutrina e à fé.
Seguem-se muitos exemplos de problemas doutrinários causados pelas omissões do Texto Crítico. Esta não é, de modo algum, uma lista exaustiva. O moderno Texto Crítico reconstruído:
  • Omite referência ao nascimento virginal, em Lucas 2.33;
  • Omite referência à deidade de Cristo, em 1 Timóteo 3.16;
  • Omite referência à deidade de Cristo, em Romanos 14.10 e 12;
  • Omite referência ao sangue de Cristo, em Colossenses 1.14
Adicionalmente, cria-se um erro bíblico em Marcos 1.2: nesta passagem, no Texto Crítico, Isaías torna-se autor do livro de Malaquias. Em numerosas referências no Novo Testamento o nome de Jesus é omitido, no Texto Crítico: “Jesus” é omitido setenta vezes e “Cristo”, vinte e nove vezes.1
Outra problema com o Texto Crítico moderno é que os dois manuscritos mais importantes sobre os quais o texto é construído, o do Sinai e o do Vaticano, discordam entre si mais de 3.000 vezes, somente nos Evangelhos. Assim, o texto alexandrino apresenta-se como um texto-tipo que se caracteriza, em muitos lugares, por leituras que não são comuns aos manuscritos de sua própria tradição. O Texto Crítico é caracterizado por um fraseado que, na língua original, é difícil, confuso ou mesmo impossível. Parece que não importa quão singular ou anômala seja a leitura variante, deve estar nos autógrafos originais porque (como algumas se defende) um escriba jamais faria uma mudança que estivesse em desacordo com os outros manuscritos; ao invés disso, ele faria uma alteração que daria à passagem uma leitura mais fácil.
Muito foi dito sobre o fato de os manuscritos alexandrinos serem muito antigos. Isso é verdade, mas a ênfase no estudo da crítica textual não deveria recair sobre quão antigo é o manuscrito, mas sim, sobre quantas cópias foram feitas a partir dele. Um manuscrito datado como sido copiado durante o século X poderia ser o quinto numa linhagem de cópias feitas a partir do autógrafo original, enquanto um manuscrito datado como tendo sido copiado durante o terceiro século, poderia ter sido o centésimo numa outra linhagem de cópias. Uma vez que é difícil contar a genealogia, a família de qualquer dado manuscrito, é importante observar que a idade é relativa no sentido de que se pode ter um manuscrito originário do terceiro século, corrompido; ou um outro, do século dez, confiável.
Eis aqui uma boa ilustração: suponha que, no ano 3000, uma cópia da Bíblia em português é achada, datada da década de 1970. Admite-se que tal Bíblia é a mais antiga existente à disposição, e que tal Bíblia difere em centenas de lugares da Bíblia então em uso pelos cristãos do ano 3000. Pode-se imaginar os críticos científicos, com sua metodologia, enaltecendo as virtudes da idade avançada de tal Bíblia, a diagramação de qualidade, o cuidado no layout e no papel desse volume em particular, a encadenação e assim por diante. Porém, seus argumentos cairão por terra quando, depois de começar a traduzir a Bíblia para as línguas modernas, com base nos livros antigos, os cristãos descobrirem que essa versão das Escrituras era a tradução Novo Mundo dos Testemunhas de Jeová (cuja tradução difere muito do texto tradicional, ex.: João 1:1). [acima]
Preservação Providencial
O Texto Tradicional do Novo Testamento é visto pelos cristãos conservadores que crêem na Bíblia como tendo sido providencialmente preservado por Deus. Deus prometeu em Sua Palavra que Ele não só preservá-la-ia para as gerações vindouras mas, também, que Sua Palavra seria eterna e completamente livre de corrupção.
  • Mateus 5.18 afirma: “Porque em verdade vos digo que, até que o céu e a terra passem, nem um jota ou um til se omitirá da lei, sem que tudo seja cumprido”.
  • Isaías 59.21 diz: “Quanto a mim, esta é a minha aliança com eles, diz o SENHOR: o meu espírito, que está sobre ti, e as minhas palavras, que pus na tua boca, não se desviarão da tua boca nem da boca da tua descendência, nem da boca da descendência da tua descendência, diz o SENHOR, desde agora e para todo o sempre”.
  • João 10.35 nos fala: “a Escritura não pode ser anulada”.
Esses versículos demonstram que Deus não deixou Sua Igreja, por séculos, sem uma cópia autorizada de Sua Palavra, mas que o povo de Deus através dos séculos copiou e recopiou fielmente manuscritos a partir dos autógrafos originais. A Igreja por todo o mundo tem usado o Texto Tradicional em todas as suas variadas formas, e Deus tem considerado apropriado multiplicar uma infinidade de cópias e, assim, levar a salvação a muitas gerações, através de Seu processo de preservação. Esta doutrina da preservação proveidencial é declarada sucintamente na Confissão de fé de Westminster, capítulo 1, parágrafo VIII:
“O Velho Testamento em Hebraico (língua vulgar do antigo povo de Deus) e o Novo Testamento em Grego (a língua mais geralmente conhecida entre as nações no tempo em que ele foi escrito), sendo inspirados imediatamente por Deus e pelo seu singular cuidado e providênciaconservados puros em todos os séculos, são por isso autênticos e assim em todas as controvérsias religiosas a Igreja deve apelar para eles...”
Esta preciosa doutrina da preservação providencial tem sido totalmente esquecida pelos estudiosos de texto modernos. Muitos deles tratam a Palavra de Deus como um outro livro qualquer, que pode ser submetido aos caprichos e às normas de alteração dos métodos científicos modernos. Muitas das formas destrutivas da alta crítica do século XIX advêm de uma falha na crença de que a Bíblia é um livro sobrenatural. A Bíblia tem as marcas de inspiração que podem ser claramente vistas pelos olhos dos que crêem, mas que, também, podem ser esmagadas sob os pés dos homens que marcham apressadamente para a destruição. Porém, apesar disso tudo, Deus tem levantado Seu povo, que ama e cuida de Sua Palavra e reconhece as marcas de inspiração que os primeiros crentes reconheceram, e que essas cópias, manuseadas através dos anos representam bem o que Deus queria que fosse conhecido. Isso não significa que qualquer edição impressa do Novo Testamento em grego, em particular, seja perfeita, mas, sim, que o Novo Testamento que temos hoje é essencialmente o mesmo que os que já passaram, através dos anos, através dos vários grupos de crentes que amaram e guardaram a Sua Palavra.
A força dessa preservação no Antigo Testamento é vista na qualidade do escriba que copiou o Antigo Testamento hebraico. No Novo Testamento, isso é percebido na abundância de manuscritos que possuímos hoje em dia. Este tem sido o método de Deus para manter Sua Palavra pura. Essa preservação estabelece que nenhum texto local, como o de Alexandria, Egito, poderia se tornar o texto dominante. O liberalismo e a descrença desafiaram esse processo de preservação. Nunca ficou provado que esses poucos manuscritos alexandrinos tenham jamais existido fora de Alexandria, no Egito. Muitos dos filhos de Deus, ao redor do mundo, rejeitaram o Texto Crítico em todas as suas formas. A aplicação prática da preservação providencial é que o crente contemporâneo deve escolher um texto moderno reconstruído, baseado essencialmente sobre dois manuscritos do século IV, que omite a deidade de Cristo em muitos lugares e que, estima-se, deixa de lado aproximadamente 200 versículos (o equivalente a 1 e 2 Pedro); ou escolher um texto que Deus tem usado através dos séculos. Vamos usar o texto que Deus abençoou e que melhor honra e glorifica o Senhor Jesus, ou não?
As edições impressas do Novo Testamento grego que foram publicadas entre 1500 e 1600 foram produzidas por homens que entendiam o que significava a glória de Deus e a importância de se ter cópias exatas da Bíblia. Da obra conhecida como Poliglota Complutensiana até as várias edições de Erasmo, as quatro edições de Robert Stephens (dentre as quais, a mais conhecida é a de 1550, que é a base do que chamamos de Berry Interlinear ou “the Englishman’s Greek New Testament”), a obra do grande crítico Teodoro de Beza (em suas cinco edições), as edições dos Elzevires (em 1624 e em 1633) e, por último, o trabalho de F. H. A. Scrivener (nas décadas de 1870 e 1880), temos conhecimento da crítica textual e a mais fiel e cuidadosa atitude com relação aos manuscritos que se pode imaginar. O Texto Tradicional do Novo Testamento foi o texto do período da Reforma, tanto que, seja no trabalho de Erasmo ou no de Stephen, na própria tradução de Lutero ou naquela dos herdeiros da Reforma, tais como os clérigos de Westminster e os tradutores da Versão Autorizada em inglês, este texto tem sido largamente usado e tremendamente abençoado por Deus. [acima]
A responsabilidade dos crentes hoje
O crítico textual J. Harold Greenlee diz: “A crítica textual do Novo Testamento é, portanto, o estudo bíblico básico, um pré-requisito para todo o outro trabalho bíblico e teológico”. 2 Isso não é dar importância exagerada a este assunto. Como crentes, temos a responsabilidade em nossos dias e era de proclamar o Evangelho, o Evangelho puro, o Evangelho não diluído. Também temos o direito e o privilégio de sermos os próximos na linha sucessória da proteção e da proclamação da Palavra de Deus. Cada cristão, individualmente, decidirá a respeito desse assunto, sobre qual texto é o correto. Evidentemente, esta decisão será feita, consciente ou inconscientemente, por todo crente, individualmente. Esta decisão é tomada quando o crente decide qual edição da Bíblia usará para ler e estudar; e, caso escolha uma tradução baseada em manuscritos corruptos, que refletem pontos de vista que omitem a deidade de Cristo, a expiação por Seu sangue, Seu nascimento virginal, então a decisão é de estender esse erro à próxima geração. Se, entretanto, o cristão de hoje escolhe uma tradução da Palavra de Deus que é feita a partir do texto tradicional do Novo Testamento, a decisão é no sentido de ver Deus trabalhando através de Sua providência para o fornecimento de Sua Palavra em sua forma completa, não só para esta geração, mas também para as que virão. [acima]
Uma bibliografia de suporte ao texto tradicional do Novo Testamento
“The Ancient Manuscripts of the New Testament” – Quaterly Record (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society – nº 510, janeiro-março de 1990).
ANDERSON, G. W. e ANDERSON, D. E. – A Textual Key to the New Testament (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, 1992).
“The Authenticity of the Last Twelve Verses of the Gospel according to Mark demonstrated by the evidence of the ancient manuscripts” – Artigo nº 16 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society – s/data).
“The Authorised Version: What today’s Christian needs to know about the AV” – Artigo nº 75 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society – s/data).
BURGON, John William – The Causes of Corruption of the Traditional Text of the Holy Gospels (Londres, Inglaterra: George Bell & Sons, 1896).
____________________. – The Last Twelve Verses of the Gospel According to S. Mark (Oxford, Inglaterra: J. Parker Co., 1871).
____________________. – The Revision Revised (Fort Worth, TX, USA: A. G. Hobbs Publications, 1983).
____________________. – The Traditionsl Text of the Holy Gospels (Londres, Inglaterra: George Bell & Sons, 1896).
CLARK, Gordon H. – Logical Cristicisms of Textual Criticism (Jefferson, MD, USA: The Trinity Foundation, 1986).
DABNEY, Robert L. – “The Doctrinal Various Readings of the New Testament Greek”, in Discussions of Robert Lewis Dabney – volume 1 (Carlisle, PA, USA: The Banner of Truth Trust, 1967).
____________________. – The Revised Version of the New Testament”, in Discussions of Robert Lewis Dabney – volume 1 (Carlisle, PA, USA: The Banner of Truth Trust, 1967).
“The English Bible: Its Origin, Preservation and Blessing” – Artigo nº 101 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
FULLER, David Otis – Counterfeit or Genuine (Grand Rapids, MI, USA: Grand Rapids International Publications, 1978).
____________________. – True or False (Grand Rapids, MI, USA: Grand Rapids International Publitacions, 1983).
____________________. – Which Bible? (Grand Rapids, MI, USA: Grand Rapids International Publications, 1970).
“God was Manifested in the Flesh” – Artigo nº 103 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
HILLS, Edward Freer – The King James Version Defended (DesMoines, IO, USA: The Christian Research Press, 1984).
“The New International Version: What today’s Christian needs to know about the NIV” – Artigo nº 74 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
“The New Testament, the Greek Text Underlying the English Authorised Version of 1611 (Textus Receptus) (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
PICKERING, Wilbur N. – The Identity of the New Testament Text (Nashville, TN, USA: Thomas Nelson Publishers, 1977).
SCRIVENER, F. H. A. – The Authorised Edition of the English Bible (1611): Its Subsequent Reprints and Modern Respresentatives (Cambridge, Inglaterra: The University Press, 1884).
____________________. – A Plain Introduction to the Criticism of the New Testament for the Use of Biblical Students – terceira edição (Cambridge, Inglaterra: Deighton, Bell & Co., 1883).
STURZ, Harry A. – The Byzantine Text-Type and New Testament Textual Criticism (Nashville, TN, USA: Thomas Nelson Publishers, 1984).
van BRUGGEN, Jakob – The Andicent Text of the New Testament (Winnipeg, Ontário, Canadá: Premier, 1976).
____________________. – The Future of the Bible (Nashville, TN,USA: Thomas Nelson Publishers, 1978).
“What is Wrong With the Modern Versions of the Holy Scriptures?” – Artigo nº 41 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
“Why John 5 vs. 7-8 is in the Bible” – Artigo nº 102 (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/data).
WISSE, Frederik – The Profile Method for Classifying and Evaluating Manuscript Evidence (Grand Rapids, MI, USA: William B. Eeerdmans Publishing Co., 1982).
“The Word of God Among All Nations: An Introduction to the Society’s Principles” (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society, s/da. [acima]
Notas de fim
1 Ver “The Great Omission” – The Quarterly Record (Londres, Inglaterra: The Trinitarian Bible Society – nº 524 – julho-setembro de 1993).
2 GREENLEE, J. Harold – Introduction to New Testament Textual Criticism (Grand Rapids, MI, USA: William B. Eerdmans Publishing Co., 1964), p. 17. [acima]
Copyright © 1994 Trinitarian Bible Society.



A Doutrina Bíblica da Santa Trindade


Base Doutrinária da Sociedade Bíblica Trinitarianas do Brasil

A Sociedade Bíblica Trinitariana do Brasil foi formada em 1831, por homens que estavam profundamente convencidos de que uma instituição com esta precisava de uma base de fé que assegurasse que seus negócios seriam conduzidos por homens que sustentassem o ponto de vista bíblico da igualitária e eterna divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ao elaborar o texto “Estatutos da Sociedade Bíblica Trinitariana”, nossos fundadores declararam:
Os membros desta Sociedade consistirão de protestantes que confessam sua fé da Divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo; Três Pessoas co-iguais e co-eternas num único Vivo e Verdadeiro Deus.
Num apêndice aos Estatutos, esta verdade bíblica é completamente expressa nestas palavras:
Há somente um Deus vivo e verdadeiro, eterno, sem corpo, divisão ou paixões; com infinito poder, sabedoria e bondade; Aquele que fez e preserva todas as coisas, tanto visíveis como invisíveis. Em unidade com esse Deus há Três Pessoas, de uma só substância, de um só poder e uma só eternidade: o Pai, o Filho e o Espírito Santo.
O segundo artigo no apêndice declara que o Filho de Deus é verdadeiramente e eterno Deus, da mesma substância e igual ao Pai; e que no Filho, as duas naturezas, perfeitas e distintas, a Divindade e a Humanidade, foram colocadas juntas, de maneira inseparável, numa única Pessoa.
As bases concluem com a declaração de que “O Espírito Santo, procedente do Pai e do Filho, é das mesmas únicas substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus”. Estas não são afirmações novas, mas foram produzidas verbatim da Declaração de Fé das Igreja Reformadas, na época da Reforma Protestante. [acima]
A autoridade infalível da Bíblia
Desde os primórdios da história da Igreja Cristã, a verdadeira doutrina das Santas Escrituras a respeito desse assunto vital tem sido mudada e negada, e a maior parte das heresias que têm atribulado a paz da Igreja começou com uma corrupção dessa mesma doutrina. Nos dias atuais o testemunho da Igreja praticante é enfraquecido, de um lado, pela falta do ensino explícito e, de outro, pela hostilidade e descrença. Enquanto isso, muitas falsas seitas alteram a fé do povo de Deus, muitas das quais mostrando-se perdidas quando solicitadas a darem uma resposta bíblica concisa e imediata. Para essa doutrina não há outra autoridade além da Bíblia, a revelação divina, inspirada, infalível e competente, dada pelo próprio Deus. A breve demonstração de evidência que se segue é tirada somente dessa fonte. [acima]
Só há um Deus
A doutrina bíblica da Santa Trindade repousa sobre este fundamento: “o SENHOR é Deus; nenhum outro há, senão ele” (Deuteronômio 4.35). “Eu sou o SENHOR, e não há outro; fora de mim não há Deus” (Isaías 45.5). O Novo Testamento não é menos explícito quando o Senhor Jesus cita, a partir de Deuteronômio: “Ouve, Israel, o SENHOR nosso Deus é o único Senhor” (Marcos 12.29). Paulo fala aos coríntios: “sabemos que o ídolo nada é no mundo, e que não há outro Deus, senão um só” (1 Coríntios 8.4). Ele afirma a mesma coisa a Timóteo: “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5). [acima]
O único Deus é “verdade e vivo”
Estas são exatamente as palavras da Santa Escritura. Jeremias diz: “Mas o SENHOR Deus é a verdade; ele mesmo é o Deus vivo” (Jeremias 10.10). Paulo lembra aos tessalonicenses que eles haviam se convertido dos ídolos “para servir o Deus vivo e verdadeiro” (1 Tessalonicenses 1.9). [acima]
Deus é eterno
As expressões “perpétuo” e “eterno”, que significam a mesma coisa quando relacionadas a Deus, são constantemente usadas pelos escritores sagrados quando falam do Todo-Poderoso. Moisés disse: “O Deus eterno é a tua habitação” (Deuteronômio 33.27). “...de eternidade a eternidade, tu és Deus” (Salmo 90.2). Isaías fala do “eterno Deus, o SENHOR, o Criador dos fins da terra” (Isaías 40.28). Paulo fala também do “Deus eterno” e do “Rei dos séculos, imortal...” (Romanos 16.26 e 1 Timóteo 1.17). Muitas outras passagens poderiam ser acrescentadas, mas estas já atestam a verdade completamente. [acima]
Deus não possui corpo, divisões ou paixões
O Senhor Jesus Cristo disse à mulher de Samaria: “Deus é Espírito” e, depois da ressurreição, disse aos discípulos: “um espírito não tem carne nem ossos” (João 4.24; Lucas 24.39). Deus é revelado na Bíblia como um Ser espiritual puro, presente em todo lugar, a todo e qualquer instante. “Porventura não encho eu os céus e a terra? diz o SENHOR” (Jeremias 23.24). Reconhecidamente, as Escrituras falam das mãos, dos ouvidos e dos olhos de Deus, e de Seu prazer, de Sua ira, de Seu amor, e de Sua aversão, mas esta é a linguagem condescendente a nosso conhecimento imperfeito. A fim de que entendamos alguma coisa de Seu ser e de Sua obra, Ele permite que os homens apliquem suas palavras humanas às coisas divinas. Assim, revela Seu ser divino ao nosso entendimento humano. [acima]
O poder de Deus é infinito
“Tua é, SENHOR, a magnificência, e o poder, e a honra, e a vitória, e a majestade; porque teu é tudo quanto há nos céus e na terra” (1 Crônicas 29.11). O Salvador divino diz: “a Deus tudo é possível”; e o anjo assegurou a Maria que “para Deus nada é impossível” (Mateus 19.26; Lucas 1.37). Esses e outros versículos revelam que Ele tem infinito poder. [acima]
A sabedoria de Deus é infinita
“Grande é o nosso Senhor, e de grande poder; o seu entendimento é infinito” (Salmo 147.5). A perfeição de Sua sabedoria é vista na obra da criação: “todas com sabedoria as fizeste” (Salmo 104.24). Seu conhecimento alcança tudo no passado e tudo que está por vir: “Conhecidas são a Deus, desde o princípio do mundo, todas as suas obras (Atos 15.18). “Todas as coisas estão nuas e patentes aos olhos daquele com quem temos de tratar” (Hebreus 4.13). “Ó profundidade das riquezas, tanto da sabedoria, como da ciência de Deus! Quão insondáveis são os seus juízos, e quão inescrutáveis os seus caminhos!” (Romanos 11.33). [acima]
A bondade de Deus é infinita
Ao olhar para o que havia criado, Ele viu que tudo “era muito bom” (Gênesis 1.31). “A terra está cheia da bondade do SENHOR” (Salmo 33.5). “... porque ele é bom; porque a sua benignidade dura para sempre” (Salmo 136.1). Os cristãos não precisam de provas quanto à bondade do Senhor além do conhecimento de Seu gracioso presente ao dar Seu eterno Filho para redimir seu povo e salvá-lo dos pecados. Esta é a bondade divina, verdadeiramente infinita e além de nossa compreensão. [acima]
Deus fez e preserva todas as coisas
“Porque em seis dias fez o SENHOR os céus e a terra, o mar e tudo que neles há” (Êxodo 20.11). “Porque nele foram criadas todas as coisas que há nos céus e na terra, visíveis e invisíveis” (Colossenses 1.16). Ele preserva: “... tu fizeste o céu... a terra e tudo quanto nela há... e tu os guardas com vida a todos” (Neemias 9.6). Todas essas declarações derivam da infalível Palavra de Deus, e sobre elas se firma a doutrina da Santa Trindade. Elas revelam a majestade e a glória do DEUS ÚNICO. As Escrituras mostram com igual clareza que o Filho é Deus e que o Espírito Santo é Deus, e que há uma Trindade de Pessoas na Unidade da Divindade. [acima]
A verdadeira Divindade do Senhor Jesus Cristo
Entre os enganos relacionados à Pessoa do Filho, há a noção de que Ele é Deus somente num sentido inferior, um ser criado, não o Deus “verdadeiro” e “real”, não co-igual e da mesma substância que o Pai. Alguns negam a divindade do Filho completamente, alguns negam que Ele tenha tido “duas naturezas perfeitas e completas: a divina e a humana”. Alguns declaram que na terra Ele era somente homem, e que após Sua ressurreição Ele era Deus somente. Alguns negam Sua humanidade perfeita e alguns, a Sua divindade perfeita. Entretanto, o Senhor Jesus Cristo é “Deus verdadeiro e eterno”. 
O Antigo Testamento fala do Messias nestes termos: “Cinge a espada no teu flanco, herói” (Salmo 45.3); “O teu trono, ó Deus, é eterno e perpétuo” (Salmo 45.6); “ele é teu Senhor; adora-o” (Salmo 45.11); “e se chamará o seu nome... Deus Forte” (Isaías 9.6); “este será o seu nome, com o qual Deus o chamará: O SENHOR JUSTIÇA NOSSA” (Jeremias 23.6); e Zacarias declara que Ele é “companheiro” (ou igual) do “SENHOR dos Exércitos” (Zacarias 13.7). [acima]
Ele exerce o poder e a sabedoria de Deus
Quando o Messias prometido estava na terra Ele mostrou, por Suas obras e pela Sua Palavra, que era verdadeiramente “Deus conosco” (Isaías 7.14; Mateus 1.23). Aquelas obras poderosas, que somente poderiam Ter sido feitas pelo “SENHOR Deus... que só ele faz maravilhas” (Salmo 72.18), Cristo realizou por Seu próprio poder e por Sua própria palavra. Ele curou o leproso, deu visão ao cego, levantou o que estava morto, acalmou a tempestade, tudo por Seu próprio poder. Se é alegado que os Apóstolos fizeram milagres, embora fossem somente homens, deve ser lembrado que seu poder derivava dEle, e eles sabiam disso.
Outra prova da divindade do Salvador é vista pelo Seu conhecimento dos corações dos homens. Salomão orou ao Deus Todo-Poderoso: “... porque só tu conheces o coração de todos os filhos dos homens” (1 Reis 8.39), e ainda lemos que Jesus percebeu os pensamentos dos corações dos homens (Lucas 9.47), que “... a todos conhecia e,,, bem sabia o que havia no homem” (João 2.24, 25). Nestas coisas, Jesus exerceu um poder que pertencia somente a Deus. Mais uma vez, quem pode perdoar pecados, senão Deus? Ele diz: “Eu, eu mesmo, sou o que apago as tuas transgressões” (Isaías 43.25), e o Senhor Jesus disse: “o Filho do homem tem na terra autoridade para perdoar pecados” (Mateus 9.6). [acima]
Ele é adorado como Deus
O Salvador disse: “está escrito: Ao Senhor teu Deus adorarás, e só a ele servirás” (Mateus 4.10), e ainda sem repreensão, permitiu que essa adoração fosse prestada a Si mesmo, ao declarar: “Para que todos honrem o Filho, como honram o Pai” (João 5.23). Lemos sobre um leproso, sobre um legislador, sobre os discípulos num barco, sobre uma mulher de Canaã e sobre um homem cego de nascença, todos eles vieram e adoraram Cristo. Após Sua ressurreição, Maria Madalena e outras mulheres “E elas, aproximando-se, abraçaram-lhe os pés e o adoraram” (Mateus 28.9). Tomé não foi censurado quando dirigiu-se a Ele como “Senhor meu, e Deus meu!” (João 20.28). Ele, que apropriadamente recebeu a adoração devida somente ao Senhor nosso Deus, devia ser verdadeiramente o Senhor nosso Deus. [acima]
Ele é declarado Deus
Como os discípulos se referiram ao Senhor ressurreto e elevado aos céus quando Ele enviou o Espírito da Verdade para guiá-los infalivelmente à verdade? João diz: “... o Verbo era Deus... E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória” (João 1.1, 14). Em outra passagem, ele escreve: “... seu Filho Jesus Cristo. Este é o verdadeiro Deus e a vida eterna” (1 João 5.20). Paulo fala aos romanos que Cristo “é sobre todos, Deus bendito eternamente” (Romanos 9.5). Aos Colossenses, ele declara que “nele habita corporalmente toda a plenitude da divindade” (Colossenses 2.9). Para Timóteo, ele afirma que “Deus se manifestou em carne” (1 Timóteo 3.16). Na epístola para Tito, Paulo ainda escreve sobre Jesus como sendo o “grande Deus e nosso Salvador Jesus Cristo” (Tito 2.13). Pedro também fala dEle como “Deus e Salvador Jesus Cristo” (2 Pedro 1.1).
Na visão de Cristo em glória mostrada em Apocalipse, Cristo anuncia Sua presença ao apóstolo amado: “Eu sou o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim, diz o Senhor, que é, e que era, e que há de vir, o Todo-Poderoso” (Apocalipse 1.8, 17; 21.6; 22.13). “Para que ao nome de Jesus se dobre todo o joelho dos que estão nos céus, e na terra, e debaixo da terra” (Filipenses 2.10). Todas as criaturas devem levantar uma única voz de adoração ao nosso Deus Salvador, dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono e ao Cordeiro sejam dadas ações de graças, e honra, e glória, e poder para todo o sempre” (Apocalipse 5.13). [acima]
O Filho é Deus, e da mesma substância que o Pai
O próprio Senhor Jesus disse: “Eu e o Pai somos um” (João 10.30). Ele é o “unigênito do Pai, cheio de graça e de verdade” (João 1.14). “Ele é antes de todas as coisas” (Colossenses 1.17). Suas “saídas são desde os tempos antigos, desde os dias da eternidade” (Miquéias 5.2). Ele era o Verbo que estava “no princípio com Deus” e que “era Deus” (João 1.1, 2). [acima]
Ele tomou sobre Si a natureza humana
Jesus nasceu no mundo e cresceu “em sabedoria, e em estatura” (Lucas 2.52). Ele teve fome e sede, comeu e bebeu, sentiu fraqueza e fadiga, dor e tristeza, moveu-se de compaixão e lamentou a aflição daqueles a quem amava e a visão da ruína de Jerusalém. Ele era “em tudo... semelhante aos irmãos” (Hebreus 2.17) e, como eles “participam da carne e do sangue, também ele participou das mesmas coisas” (Hebreus 2.14). Ele tomou “a forma de servo, fazendo-se semelhante aos homens; e, achado na forma de homem, humilhou-se a si mesmo” (Filipenses 2.7, 8). A esse respeito, Ele é descrito como “homem aprovado por Deus” (Atos 2.22); “Porque há um só Deus, e um só Mediador entre Deus e os homens, Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5).
Em Sua natureza humana, Ele era completamente homem, nascido de uma mulher quando, no milagre da encarnação, Maria “deu à luz a seu filho primogênito” (Lucas 2.7). É igualmente verdade que Ele era enviado de Deus: “Mas, vindo a plenitude dos tempos, Deus enviou seu Filho, nascido de mulher, nascido sob a lei” (Gálatas 4.4). [acima]
A divindade e a humanidade estavam inseparavelmente unidas em uma única Pessoa
Não podemos entender essa misteriosa união, nem mesmo tentar explicá-la, mas sustentamos sua veracidade porque ela é claramente revelada na infalível Palavra de Deus. Como Deus, Ele podia dizer: “antes que Abraão existisse, eu sou” (João 8.58).; como homem, Ele era a semente de Abraão. Como Deus, era o Senhor de Davi; como homem, era filho de Davi (Mateus 22.43-45). Como Deus, pertenciam-Lhe todo poder e honra, tanto na terra como no céu; como homem, “ele mesmo está rodeado de fraqueza” (Hebreus 5.2). Como Deus, Ele era Senhor de todas as coisas pelo direito da criação, pois “sem ele nada do que foi feito se fez” (João 1.3); como homem, foi destituído de todos os bens terrenos e não tinha “onde reclinar a cabeça” (Mateus 8.20). Como Deus, tinha em Suas mãos as saídas da vida e da morte, e tinha poder para sacrificar Sua vida e poder para tomá-la de volta (João 10.18); como homem, “Foi levado como a ovelha para o matadouro; e, como está mudo o cordeiro diante do que o tosquia, Assim não abriu a sua boca” (Atos 8.32).
As naturezas divina e humana nunca se separaram. Mesmo depois de Sua ascensão, Ele Se mostra como o Único Mediador – “Jesus Cristo homem” (1 Timóteo 2.5). Paulo fala do Senhor assunto ao céu como futuro Juiz – “por meio do homem que [Deus] destinou” (Atos 17.31). As Escrituras, portanto, deixam claro que o Senhor Jesus Cristo, como quando na Terra, é e sempre será ambos: Deus e homem. Nele, embora sentado em Seu trono de glória, a natureza humana está, de maneira misteriosa, unida com a divina. [acima]
O Espírito Santo é manifestado como uma Pessoa
É indispensável, primeiramente, estabelecer este aspecto verdadeiro, de maneira que, depois, possa ser mostrado que essa Pessoa é divina e da mesma substância que o Pai e o Filho. Aqueles que negam a divindade do Espírito Santo, invariavelmente, negam Sua existência pessoal distinta.
Quando o Senhor estava prestes a deixar Seus discípulos, Ele lhes prometeu: “E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, para que fique convosco para sempre; o Espírito de verdade” (João 14.16-17). O “Consolador, o Espírito Santo, que o Pai enviará em meu nome, esse vos ensinará todas as coisas, e vos fará lembrar de tudo quanto vos tenho dito” (João 14.26). “Ele testificará de mim” (João 15.26). “Eu vo-lo enviarei” (João 16.7). “Ele vos guiará em toda a verdade... e vos anunciará o que há de vir. Ele me glorificará, porque há de receber do que é meu, e vo-lo há de anunciar” (João 16.13-14).
O próprio Senhor Jesus Cristo era uma Pessoa, e é claro que o “outro Consolador” também seria uma. As coisas que Jesus fala a respeito desse Consolador seria um tanto ininteligíveis se Este não fosse uma Pessoa. Ele deve ser uma Pessoa, pois é enviado, pois ensina, pois traz coisas à nossa lembrança e nos mostra as coisas relativas a Jesus. Estas são descrições das ações de uma Pessoa – ouvindo, recebendo, testificando, falando, reprovando, instruindo e guiando. [acima]
Testemunhos das epístolas de Paulo
Paulo nos fala que “... o Espírito ajuda as nossas fraquezas... [e] intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Romanos 8.26). Isto só é verdadeiro quando se fala de uma Pessoa que ajuda e intercede. “Porque a um pelo Espírito é dada a palavra da sabedoria; e a outro, pelo mesmo Espírito, a palavra da ciência... Mas um só e o mesmo Espírito opera todas estas coisas, repartindo particularmente a cada um como quer” (1 Coríntios 12.8-11). É inaceitável que um escritor inspirado usasse esse caráter de linguagem, atribuindo todas essas operações ao Espírito, se tal Espírito não fosse uma pessoa. Mais uma vez, o apóstolo admoesta-nos que não entristeçamos o Espírito de Deus. Tristeza não é um sentimento que possa ser atribuído a alguma coisa além de a uma pessoa. Portanto, o Espírito Santo é uma Pessoa, e isso é claramente definido pelas Santas Escrituras.
A consideração daquelas Escrituras que nomeiam o Espírito Santo conjuntamente com o Pai e o Filho conduzem à mesma conclusão. O mandamento é dado para que se batize no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. O Pai e o Filho são Pessoas e o mesmo é verdade para o Espírito Santo. O Senhor Jesus não ordenou a Seus discípulos que batizassem no nome de duas Pessoas e de uma influência abstrata. A bênção inspirada – “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2 Coríntios 13.14) – torna igualmente claro que tanto o Pai é uma Pessoa como o são o Filho e o Espírito Santo. [acima]
O Espírito Santo é uma Pessoa divina: “verdadeiro e eterno Deus”
Aqui, novamente, o presente breve artigo não pretende uma prova profunda e exaustiva, mas estabelece exemplos de evidência a partir do tesouro da verdade divina. Em Juízes 15.14, lemos: “o Espírito do SENHOR poderosamente se apossou” de Sansão; porém, em Juízes 16.20, depois que Sansão havia se rendido a Dalila, lemos: “o SENHOR se tinha retirado dele”. Portanto, “o Espírito do Senhor” é o Senhor Jeová, o Deus eterno. Em 2 Samuel 23.2-3, Davi afirmou “O Espírito do SENHOR falou por mim... disse o Deus de Israel...”, o que deixa claro que o Espírito Santo é o Deus de Israel. Em Jó 33.4, Eliú diz: “O Espírito de Deus me fez”, mas Deus é Quem fez todas as coisas; portanto, o Espírito é Deus. No Salmo 139.7, o salmista escreve: “Para onde me irei do teu espírito, ou para onde fugirei da tua face?” As palavras seguintes estabelecem a onipresença e, portanto, a deidade, do Espírito Santo. Em Isaías 6.5-9, o profeta diz: “... os meus olhos viram o Rei, o SENHOR dos Exércitos... Depois disto ouvi a voz do Senhor... Então disse ele: Vai, e dize a este povo: Ouvis, de fato, e não entendeis...” O apóstolo Paulo cita essas palavras em Atos 28.25-26: “Bem falou o Espírito Santo a nossos pais pelo profeta Isaías, dizendo: Vai a este povo, e dize: De ouvido ouvireis...” A Pessoa a Quem Isaías chama de Rei, o SENHOR dos Exércitos não é outro senão o Espírito Santo. [acima]
Os apóstolos mostram que o Espírito Santo é Deus
No Novo Testamento, o anjo que anuncia a Maria o milagre do nascimento do Salvador diz: “Descerá sobre ti o Espírito Santo, e a virtude do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra; por isso também o Santo, que de ti há de nascer, será chamado Filho de Deus” (Lucas 1.35). Aqui, o anjo assinala como uma razão pela qual Cristo seria chamado Filho de Deus o fato de que Ele seria concebido pela operação do Espírito Santo, e a isso se segue que o Espírito Santo é Deus. Em Atos 5.3-4, ao condenar Ananias, Pedro usa a expressões mentir para o Espírito Santo e mentir para Deus como sinônimos: “Por que encheu Satanás o teu coração, para que mentisses ao Espírito Santo... Não mentiste aos homens, mas a Deus”. Ao mentir ao Espírito santo, Ananias mentiu a Deus. Portanto, o Espírito Santo é Deus. Paulo escreve aos coríntios “sois o templo de Deus” (1 Coríntios 3.16) e “o vosso corpo é o templo do Espírito Santo” (1 Coríntios 6.19). De uma comparação desses textos, deduz-se que o Espírito Santo é Deus. Paulo diz: “Toda a Escritura é divinamente inspirada” (2 Timóteo 3.16), e Pedro diz: “homens santos de Deus falaram inspirados pelo Espírito Santo” (2 Pedro 1.21). Portanto, o Espírito Santo que inspirou os escritores era Deus. Todos esses textos, e muito outros mais, levam-nos a uma única conclusão: o Espírito Santo é Deus.
O Senhor Jesus Cristo descreve a blasfêmia contra o Espírito Santo como um pecado mais imperdoável que a blasfêmia contra o Filho do Homem (Mateus 12.31). Como pode ser assim, a menos que o Espírito Santo seja Deus? Do mesmo Espírito se diz que Ele busca as profundezas de Deus a fim de conhecer as coisas de Deus, para dar todos os dons espirituais, tais como sabedoria, conhecimento, cura, milagres, profecia etc.. O Deus Todo-Poderoso, sozinho, pode fazer essas coisas, mas elas são constantemente atribuídas ao Espírito Santo que, assim, é declarado Deus. Ele é “das mesmas substância, majestade e glória com o Pai e com o Filho, verdadeiro e eterno Deus”. [acima]
Ele é igual ao Pai e ao Filho
O escritor aos hebreus expressivamente chama o Espírito Santo de “Espírito eterno” (Hebreus 9.14). Se alguma outra confirmação fosse necessária, poderia ser obtida das palavras a respeito do batismo no nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Como poderia o nome do Espírito Santo ser colocado ao lado dos nomes do Pai e do Filho, a menos que Ele, em verdade, fosse o “verdadeiro e eterno Deus”? Na administração da ordenança do batismo é concebível que o nome de um ser inferior seja colocado em igualidade perfeita com o do Pai Todo-Poderoso? As Escrituras revelam que não há outro Deus além dEle; Ele mesmo diz: “a minha glória, pois, a outrem não darei” (Isaías 42.8). A Pessoa cujo nome se mantém com o do Pai e do Filho é, Ela mesma, Deus, o Espírito Santo. A mesma coisa pode ser dita a respeito da bênção na qual Paulo invoca a graça e a bênção de Deus sobre os cristãos de Corinto: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” ( 2 Coríntios 13.14). Seria uma blasfêmia introduzir em tal bênção o nome de alguém que não fosse das mesmas substância, majestade e glória que o Pai e o Filho. [acima]
O Espírito Santo procede do Pai e do Filho
Ele é “aquele Espírito de verdade, que procede do Pai”, como o nosso Senhor declara em João 15.26. Portanto, diz-se que ele foi enviado pelo Pai (João 14.26; Mateus 3.16; 1 Coríntios 2.11, 14; 3.16 e Mateus 10.20). É dito que esse mesmo Espírito Santo foi enviado pelo Filho, e é até chamado de Espírito do Filho e de Espírito de Cristo (João 15.26; 16.7; Romanos 8.9; Gálatas 4.6; Filipenses 1.19; 1 Pedro 1.11). Assim, as mesmas expressões usadas para o Espírito em relação ao Pai são usadas para o mesmo Espírito em relação ao Filho e, pela mesma razão, o Espírito “procede” tanto do Filho como “procede” do Pai. O Pai e o Filho enviam o Espírito, Que é uma Pessoa, divina eternamente, e Um com Eles em Seu ser, em Sua majestade, em Sua glória e em Seu poder. [acima]
A Trindade em unidade
Com base nessas escrituras, torna-se claro que há somente Um Deus Todo-Poderoso, e é demonstrado com igual clareza que na unidade do Ser Divino há Três Pessoas “de uma substância, mesmo poder e mesma eternidade”. As palavras solenes “no nome do Pai” significam Deus o Pai, e que o Pai é Deus. As palavras seguintes, “e no do Filho e no do Espírito Santo”, significam o Filho que é Deus e o Espírito Santo que é Deus. Paulo conhecia bem o que estava escrito: “A quem, pois, me fareis semelhante, para que eu lhe seja igual? diz o Santo” (Isaías 40.25); e “eu sou Deus, e não há outro Deus, não há outro semelhante a mim” (Isaías 46.9). O próprio Paulo escreveu: “A graça do Senhor Jesus Cristo, e o amor de Deus, e a comunhão do Espírito Santo seja com todos vós” (2 Coríntios 13.14). Nenhum cristão razoável ou reverente pode, por um só momento, imaginar que o apóstolo inspirado teria escrito uma bênção solene no nome do Deus Todo-Poderoso colocando, deliberadamente, o nome divino entre os nomes de Jesus e do Espírito Santo, a menos que ele cresse (e desejasse que nós também o fizéssemos) que Jesus Cristo é Deus e que o Espírito Santo é Deus, e que, na unidade com o Pai, Eles são o Deus Todo-Poderoso. [acima]
A doutrina revelada no Antigo Testamento
A revelação dessa verdade é parte das mais primitivas revelações de Deus à humanidade. A palavra hebraica que traduz “Deus” é “Elohim” – um substantivo plural, sempre relacionado a adjetivos plurais e verbos que claramente denotam a pluralidade de Pessoas na Divindade (p.ex., Gênesis 20.13 – “fazendo-me Deus sair errante”, onde “Deus” e “fazendo-me” são plural; Josué 24.19 – “porquanto é Deus santo”, onde “Deus” e “santo” são plural). Para mostrar que a Divindade é contudo Única, o plural “Elohim” é sempre combinado a substantivos e pronomes singulares: “No princípio criou Deus...” – aqui, “Deus” é plural, enquanto “criou” é singular. O título pelo qual o Todo-Poderoso é designado, “o Senhor teu Deus” é, no hebraico, Jehovah Elohim, onde Jehovah é singular, indicando a unicidade da Divindade; e, Elohim, é plural, indicando a pluralidade das Pessoas nessa unidade. Deve-se lembrar que essas revelações foram feitas a um povo constantemente advertido contra o politeísmo das nações circundantes. É inconcebível que Moisés, escrevendo sob a inspiração do Espírito Santo, usasse palavras indicando uma pluralidade de Pessoas no Único Deus Eterno, sem que ele mesmo tivesse ficado irresistivelmente impressionado por essa misteriosa verdade e desejasse comunicá-la como parte essencial da revelação. [acima]
A verdade revelada nas palavras do Santo
Novamente, Deus diz: “Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança” (Gênesis 1.26); “Eis que o homem é como um de nós” (Gênesis 3.22); “Eia, desçamos...” (Gênesis 11.7); “quem há de ir por nós?” (Isaías 6.8). Não se pode atribuir nenhuma razão ao fato do Todo-Poderoso falar de Si próprio dessa maneira, a não ser a verdade de que “na unicidade da Divindade há Três de mesma substância, mesmo poder e mesma eternidade”. Também há muitos lugares onde a mesma verdade é anunciada, se não precisamente declarada. O Senhor ordena a Aarão que abençoe o povo com estas palavras: “O SENHOR te abençoe e te guarde; O SENHOR faça resplandecer o seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti; O SENHOR sobre ti levante o seu rosto e te dê a paz” (Números 6.24-26). Em Gênesis 18.1-2, lemos que “DEPOIS apareceu-lhe [a Abraão] o SENHOR... E levantou os seus olhos, e olhou, e eis três homens em pé junto a ele.” Por que Deus apareceria a ele na semelhança de três homens, a menos que fosse para demonstrar essa verdade, que Ele tinha proposto revelar mais claramente em tempos futuros? [acima]
Há alguns testemunhos muito claros em Isaías. “... vindo o inimigo como uma corrente de águas, o Espírito do SENHOR arvorará contra ele a sua bandeira. E virá um Redentor a Sião... diz o SENHOR” (Isaías 59.19-20). Quem é esse “Redentor”? “eu sou o SENHOR, o teu Salvador, e o teu Redentor, o Poderoso de Jacó” (Isaías 60.16). Aqui fala-se de três Pessoas Divinas: o Espírito do SENHOR, o Redentor – o Eterno Filho, que viria para Sião – e o SENHOR, que fala através do profeta. Em outro lugar, lemos: “e agora o Senhor DEUS me enviou a mim, e o seu Espírito” (Isaías 48.16). Um estudo do contexto mostra que o orador é o Messias, o Filho de Deus, e as três pessoas da Santa Trindade são claramente indicadas: o Senhor Deus (o Pai), o Santo Espírito e o Filho. [acima]
A imutável verdade de Deus
Há uma maravilhosa harmonia e concordância de doutrina em diferentes porções da revelação de Deus à humanidade, e homens santos de Deus em todas as eras, embora nem sempre com o mesmo grau de luz, olharam com os olhos da fé para Deus o Pai (que os elegeu), para Deus o Filho (que os redimiu) e para Deus Espírito Santo (que os regenera e santifica) e alçaram seus corações em adoração ao Deus Triúno, em uníssono com os santos e com os anjos que “não descansam nem de dia nem de noite, dizendo: Santo, Santo, Santo, é o Senhor Deus, o Todo-Poderoso, que era, e que é, e que há de vir” (Apocalipse 4.8).
Este é o firme fundamento da esperança do crente e a segurança da vida eterna. Também é o alicerce sobre o qual todo o trabalho e testemunho da Sociedade Bíblica Trinitariana estão estabelecidos. Tem sido sempre a doutrina da Bíblia, deve ser sempre a doutrina da Sociedade.
“Ao único Deus sábio, Salvador nosso, seja glória e majestade, domínio e poder, agora, e para todo o sempre. Amém” (Judas 25). [acima]
A Sociedade se baseia sobre um fundamento trinitariano das Escrituras, que declara:
  • A Unicidade, Igualdade, Divindade e Eternidade de Deus Pai, Deus Filho e Deus Espírito Santo;
  • A completa divindade e perfeita humanidade do Senhor Jesus Cristoi;
  • Seu miraculosos nascimento virginal, Sua ressurreição física e Sua ascensão aos céus;
  • Sua falta de pecado
  • Seu sacrifício expiatório
  • A Divindade e personalidade do Espírito Santo.
Uma cópia da Base Doutrinária e outras literaturas relativas ao trabalho da Sociedade serão enviados, caso solicitadas.
Esta é uma edição on-line do artigo nº 21, publicado pela Trinitarian Bible Society.
Por favor, visite nossa sede internacional ou nosso escritório mais próximo para informações sobre outras publicações da Sociedade Bíblica Trinitariana. Também o convidamos para acessar nossos outros artigos on-line. [acima]
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